Alpha Singulariity

Uma dança de galáxias anãs

Nessa foto, a NGC 4490 está do lado esquerdo (maior e mais estruturada), e a NGC 4485 aparece como um brilho branco no canto superior direito. A ponte vermelha brilhante conecta as duas, cheia de poeira e gás. Pontos azuis mostram onde novas estrelas estão nascendo.

Imagine duas galáxias pequenas, como se estivessem dançando juntas no espaço, puxando uma à outra pela força da gravidade. É exatamente isso que o Telescópio Espacial James Webb (da NASA, ESA e CSA) mostrou na Imagem do Mês de dezembro de 2025 da Agência Espacial Europeia (ESA).

Essas galáxias se chamam NGC 4490 (a maior, apelidada de “Galáxia Casulo”) e NGC 4485 (a menor). Elas estão a cerca de 24 milhões de anos-luz da Terra, na constelação dos Cães de Caça. São galáxias “anãs”, ou seja, bem menores que a nossa Via Láctea – cheias de gás, com poucas estrelas antigas e poucos elementos pesados (os astrônomos chamam isso de “baixa metalicidade”).

Exceto pelas Nuvens de Magalhães (as galáxias pequenas que orbitam a Via Láctea), esse é o par de galáxias anãs interagindo mais próximo que conhecemos. Nelas, os cientistas conseguem ver claramente uma “ponte” de gás conectando as duas e até estrelas individuais.

Juntas, elas formam o sistema chamado Arp 269, listado em um catálogo famoso de galáxias com formatos estranhos.

Por que isso é tão especial? Galáxias anãs como essas são parecidas com as galáxias que existiam no Universo bem antigo, bilhões de anos atrás. Observar como elas se aproximam, trocam gás e colidem ajuda a entender como as galáxias maiores (como a nossa) cresceram no passado.

Há cerca de 30 anos, astrônomos descobriram uma ponte fina de gás ligando as duas, provando que elas já interagiram. Mas só agora, com o Webb – que “enxerga” através da poeira no infravermelho –, conseguimos ver detalhes incríveis.

Essas novas fotos fazem parte de um programa chamado FEAST (estuda como novas estrelas nascem em galáxias). Os cientistas descobriram dois grandes “surtos” de nascimento de estrelas: um há cerca de 200 milhões de anos (quando as galáxias passaram mais perto uma da outra) e outro mais recente, há uns 30 milhões de anos.

Na interação, a galáxia maior (NGC 4490) “roubou” gás da menor (NGC 4485). Esse gás se misturou e formou a ponte visível, cheia de novas estrelas brilhando. As regiões azuis na imagem são gás quente iluminado por estrelas jovens e massivas.

Outra visão impressionante do par:

Para comparar: veja como o Telescópio Hubble (mais antigo, que vê luz visível) capturava essas galáxias de forma mais embaçada pela poeira, versus o Webb que revela tudo escondido:

Com o Webb, é como tirar o véu da poeira e ver estrelas individuais na ponte e dentro das galáxias!

Essa descoberta nos dá uma visão de perto de como galáxias pequenas crescem, se fundem e criam novas estrelas – processos que aconteceram muito no Universo jovem. É uma janela para o passado cósmico, bem aqui “perto” de nós!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *