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Satélite Pandora da NASA e CubeSats para explorar exoplanetas e além

A NASA está prestes a lançar uma nova espaçonave chamada Pandora, projetada especialmente para investigar as atmosferas de exoplanetas — planetas localizados fora do nosso sistema solar — e o comportamento de suas estrelas hospedeiras. Junto com a Pandora, dois pequenos satélites do tamanho aproximado de uma caixa de sapatos também viajarão: o BlackCAT (Black Hole Coded Aperture Telescope), focado no estudo do universo de alta energia e eventos transitórios, e o SPARCS (Star-Planet Activity Research CubeSat), dedicado a analisar a atividade de estrelas de baixa massa. Essas três missões serão enviadas ao espaço no dia 11 de janeiro de 2026, a bordo de um foguete Falcon 9 da SpaceX. O lançamento ocorrerá a partir do Complexo de Lançamento Espacial 4 Leste, na Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia. A janela de lançamento se abre às 8h19 (horário do leste dos EUA), e a SpaceX planeja transmitir o evento ao vivo. O principal objetivo da missão Pandora é separar com precisão os sinais atmosféricos dos planetas daqueles emitidos pelas próprias estrelas. Para isso, ela utilizará luz visível e infravermelha próxima. “A meta da Pandora é distinguir os sinais das atmosferas planetárias daqueles das estrelas, usando luz visível e infravermelha próxima”, explica Elisa Quintana, investigadora principal da missão no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland. “Esses dados ajudam a esclarecer se os compostos químicos detectados pertencem ao planeta ou à estrela — um avanço fundamental na busca por possíveis indícios de vida no universo.” Durante os trânsitos — quando o planeta passa na frente de sua estrela do nosso ponto de vista —, parte da luz estelar atravessa a atmosfera do exoplaneta. Moléculas como água e oxigênio absorvem comprimentos de onda específicos, deixando marcas características no espectro. Porém, a luz direta da estrela (que não passa pela atmosfera) também chega ao telescópio, e variações na superfície estelar — como manchas mais brilhantes ou escuras — podem imitar ou mascarar esses sinais atmosféricos. Algumas dessas variações estelares até envolvem os mesmos elementos (como vapor d’água) que os cientistas procuram nos planetas. A Pandora enfrentará esse desafio observando pelo menos 20 exoplanetas e suas estrelas de forma detalhada durante o primeiro ano de operações científicas. Cada sistema será monitorado 10 vezes, com observações que duram até 24 horas no total. Muitos desses planetas foram descobertos por missões como o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, que já catalogou mais de 6.000 mundos além do nosso sistema solar. A espaçonave emprega um telescópio inovador de 45 cm de diâmetro, construído inteiramente em alumínio em parceria entre o Laboratório Nacional Lawrence Livermore (Califórnia) e a Corning Incorporated (New Hampshire). Seu detector de infravermelho próximo é, na verdade, um componente reserva originalmente fabricado para o Telescópio Espacial James Webb. Essas observações prolongadas e simultâneas em diferentes comprimentos de onda permitem mapear as mudanças na estrela ao longo do tempo e distinguir seu efeito do sinal atmosférico do planeta. “Observações tão extensas de sistemas individuais são difíceis de agendar em telescópios muito demandados como o Webb”, comenta Jordan Karburn, engenheiro e gerente adjunto do projeto no Livermore. “A combinação de dados em múltiplas faixas espectrais é essencial para identificar a verdadeira origem dos compostos que podem indicar condições habitáveis.” A Pandora é a primeira missão do programa Astrophysics Pioneers da NASA, iniciativa que financia projetos astrofísicos inovadores e de custo reduzido (cerca de US$ 20 milhões por missão), além de formar a próxima geração de cientistas e engenheiros espaciais. Após o lançamento em órbita terrestre baixa, a espaçonave passará por cerca de um mês de testes e calibração (fase de comissionamento) antes de iniciar sua missão científica principal, que terá duração de um ano. Todos os dados coletados serão disponibilizados publicamente para a comunidade científica. “A Pandora abre um novo e empolgante capítulo na exploração de exoplanetas”, afirma Daniel Apai, professor da Universidade do Arizona (onde fica o centro de operações da missão). “É o primeiro telescópio espacial dedicado especificamente a analisar em detalhes a luz estelar filtrada pelas atmosferas planetárias. Seus resultados vão aprimorar a interpretação de dados de missões anteriores e atuais, como Kepler e Webb, e orientar futuras buscas por mundos potencialmente habitáveis.” Os CubeSats BlackCAT e SPARCS fazem parte do programa de CubeSats de Astrofísica da NASA. Esses minissatélites (com dimensões baseadas em cubos de 10 cm) oferecem acesso econômico ao espaço, permitindo testes de tecnologias inovadoras, formação de jovens profissionais e importantes descobertas científicas. A missão Pandora é gerenciada pelo Centro Goddard da NASA, com o Livermore cuidando da engenharia e gestão do projeto. A plataforma da espaçonave e a integração foram realizadas pela Blue Canyon Technologies, enquanto o Centro Ames da NASA processará os dados. Diversas universidades e instituições colaboram com a equipe científica. O lançamento está marcado para amanhã, 11 de janeiro — uma data histórica para o estudo de mundos distantes e a busca por respostas sobre nossa possível solidão no cosmos! 🚀

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Telescópio James Webb registra a supernova mais distante e antiga já observada, revelando sua galáxia de origem

O Telescópio Espacial James Webb, operado pela NASA em parceria com a ESA e a CSA, confirmou que um intenso flash luminoso – uma explosão de raios gama – foi causado pelo colapso de uma estrela de grande massa em uma época em que o Universo contava apenas com 730 milhões de anos de existência. Pela primeira vez em um evento tão antigo, o instrumento conseguiu captar a galáxia que abrigava essa supernova. As imagens de acompanhamento do Webb validaram informações obtidas por outros observatórios que monitoravam o fenômeno desde março. Essa detecção supera o recorde anterior do próprio Webb, que havia registrado uma supernova de quando o Universo tinha 1,8 bilhão de anos. “Apenas o Webb é capaz de provar diretamente que essa luz provém de uma supernova, ou seja, do colapso de uma estrela massiva”, explicou Andrew Levan, principal autor de um dos estudos publicados na revista Astronomy and Astrophysics Letters. Ele é professor nas universidades Radboud (Holanda) e Warwick (Reino Unido). “Isso também mostra que podemos detectar estrelas individuais em um Universo com apenas 5% da idade atual.” Diferente das explosões de raios gama, que duram de segundos a minutos, as supernovas aumentam de brilho ao longo de semanas e depois vão enfraquecendo. Nesta caso, o brilho se estendeu por meses devido ao efeito da expansão cósmica: a luz, ao viajar bilhões de anos, sofre um alongamento (redshift), o que também dilata o tempo percebido dos eventos. Por isso, as observações do Webb foram programadas para cerca de três meses e meio após o fim da explosão de raios gama, momento em que se esperava o pico de luminosidade da supernova. “O Webb ofereceu o acompanhamento rápido e preciso que precisávamos”, destacou Benjamin Schneider, pós-doutorando no Laboratoire d’Astrophysique de Marseille (França) e coautor do trabalho. Explosões de raios gama longas, como esta (que durou cerca de 10 segundos), geralmente estão ligadas à morte violenta de estrelas muito massivas. As mais curtas costumam resultar da fusão de estrelas de nêutrons ou de uma estrela de nêutrons com um buraco negro. science.nasa.gov Detecção rápida e coordenada O alerta inicial foi emitido em 14 de março de 2025 pela missão SVOM, um satélite franco-chinês lançado em 2024 e especializado em fenômenos transitórios. Em menos de duas horas, o observatório Swift da NASA identificou a fonte em raios X. Horas depois, o Telescópio Óptico Nórdico (Ilhas Canárias, Espanha) detectou um resíduo infravermelho, sugerindo grande distância. Por fim, o Very Large Telescope do ESO (Chile) calculou que o evento ocorreu 730 milhões de anos após o Big Bang. “Nos últimos 50 anos, poucas explosões de raios gama foram registradas no primeiro bilhão de anos do Universo”, comentou Levan. “Esta é extremamente rara e fascinante.” Semelhanças impressionantes com supernovas atuais Ao comparar essa supernova primordial com as observadas no Universo local, os cientistas encontraram características muito próximas, o que os pegou de surpresa. As estrelas antigas provavelmente tinham menos metais, eram mais massivas e viviam menos tempo, além de existirem na Era da Reionização, quando o meio intergaláctico bloqueava mais luz de alta energia. science.nasa.gov “Fomos com a mente aberta”, relatou Nial Tanvir, professor da Universidade de Leicester (Reino Unido) e coautor. “E o Webb revelou uma supernova idêntica às que vemos hoje.” Mais observações serão necessárias para detectar eventuais diferenças sutis. Primeira visão da galáxia hospedeira “As imagens do Webb mostram que essa galáxia remota se assemelha a outras da mesma era cósmica”, afirmou Emeric Le Floc’h, astrônomo do CEA Paris-Saclay (França). Ela aparece como uma pequena mancha avermelhada, ocupando poucos pixels, o que limita análises detalhadas – mas já é um feito enorme visualizá-la. A equipe já tem aprovação para novas observações com o Webb, focando em capturar o brilho residual de explosões de raios gama para estudar melhor galáxias distantes. “Esse resíduo nos dará uma assinatura mais clara da galáxia”, concluiu Levan. Essa supernova, batizada de GRB 250314A, foi estudada por meio de um programa de resposta rápida do diretor do observatório (#9296). Sobre o James Webb O JWST é o maior telescópio espacial já construído. A ESA contribuiu com o lançamento via Ariane 5, o espectrógrafo NIRSpec e parte do instrumento MIRI, em colaboração internacional com NASA e CSA. Créditos das imagens: NASA, ESA, CSA, STScI, A. Levan (IMAPP); Processamento: A. Pagan (STScI) 🚀

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Webb explora a maior nuvem de formação estelar da Via Láctea.

O Telescópio Espacial James Webb, desenvolvido pela NASA, ESA e CSA, capturou imagens impressionantes de estrelas grandes e coloridas, além de poeira cósmica que brilha, na nuvem molecular Sagitário B2 (Sgr B2). Essa é a área mais intensa de formação de estrelas em nossa galáxia, a Via Láctea. A Sagitário B2 é a maior e mais ativa nuvem de formação de estrelas na Via Láctea. Ela é responsável por criar metade de todas as estrelas da região central da galáxia, mesmo tendo apenas 10% do material estelar dessa área. Agora, o Webb mostrou novas fotos detalhadas dessa região, usando seus instrumentos de infravermelho próximo e médio. Esses instrumentos revelam as estrelas coloridas e as nuvens de gás onde as estrelas nascem, com um nível de nitidez nunca visto antes. A Sagitário B2 fica a apenas algumas centenas de anos-luz do buraco negro gigante no centro da galáxia, chamado Sagitário A*. Essa zona é cheia de estrelas, nuvens onde estrelas se formam e campos magnéticos complicados. A luz infravermelha captada pelo Webb consegue passar por algumas das nuvens densas dessa área, mostrando estrelas jovens e a poeira quente que as cerca. Os cientistas esperam que esses dados ajudem a entender melhor como as estrelas nascem e por que a Sagitário B2 produz tantas delas, mais do que o resto do centro da galáxia. Um dos pontos mais curiosos nas imagens do Webb é que partes da Sagitário B2 aparecem escuras. Essas regiões parecem vazias, mas na verdade são tão cheias de gás e poeira que nem o Webb consegue ver através delas. Essas nuvens grossas são o material básico para novas estrelas e protegem as que ainda são muito jovens para emitir luz visível. A alta precisão e a capacidade de detectar infravermelho médio do instrumento MIRI (Instrumento de Infravermelho Médio) do Webb permitiram ver essa área com detalhes inéditos. Isso inclui poeira cósmica que brilha porque é aquecida por estrelas massivas e muito novas. A parte mais vermelha, chamada Sagitário B2 Norte (nota: o norte fica à direita nessas imagens), é uma das regiões com mais moléculas conhecidas no universo. Mas os astrônomos nunca a viram com tanta clareza quanto agora. A diferença entre os comprimentos de onda mais longos da luz infravermelha é clara ao comparar as imagens do MIRI e da NIRCam (Câmera de Infravermelho Próximo) do Webb. No infravermelho médio do MIRI, o gás e a poeira brilham de forma dramática, mas quase todas as estrelas somem de vista, exceto as mais fortes. Já na NIRCam, as estrelas coloridas dominam a imagem, com nuvens de gás e poeira aparecendo aqui e ali como pontos brilhantes. Estudos extras sobre essas estrelas vão revelar mais sobre seu tamanho e idade, ajudando os cientistas a compreender o nascimento de estrelas nessa zona tão densa e agitada do centro da galáxia. Esse processo vem acontecendo há milhões de anos? Ou algo recente o acelerou? Os astrônomos contam com o Webb para explicar por que a formação de estrelas no centro da galáxia é tão desigual. A região tem muito gás disponível, mas, no geral, não produz tantas estrelas quanto a Sagitário B2. Enquanto essa nuvem tem só 10% do gás do centro galáctico, ela gera 50% de todas as estrelas de lá. Mais informações O Webb é o maior e mais avançado telescópio já enviado ao espaço. Por meio de uma parceria internacional, a ESA cuidou do lançamento do telescópio com o foguete Ariane 5. Junto com parceiros, a ESA adaptou o foguete para a missão e contratou o serviço de lançamento pela Arianespace. A ESA também forneceu o espectrógrafo NIRSpec, essencial para o telescópio, e metade do instrumento MIRI, que foi criado por um grupo de institutos europeus (o Consórcio Europeu MIRI), em colaboração com o JPL e a Universidade do Arizona. O Webb é uma colaboração entre a NASA, a ESA e a Agência Espacial Canadense (CSA). Crédito da imagem: NASA, ESA, CSA, STScI, A. Ginsburg (Universidade da Flórida); Processamento da imagem: A. Pagan (STScI)

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Uma dança de galáxias anãs

Nessa foto, a NGC 4490 está do lado esquerdo (maior e mais estruturada), e a NGC 4485 aparece como um brilho branco no canto superior direito. A ponte vermelha brilhante conecta as duas, cheia de poeira e gás. Pontos azuis mostram onde novas estrelas estão nascendo. Imagine duas galáxias pequenas, como se estivessem dançando juntas no espaço, puxando uma à outra pela força da gravidade. É exatamente isso que o Telescópio Espacial James Webb (da NASA, ESA e CSA) mostrou na Imagem do Mês de dezembro de 2025 da Agência Espacial Europeia (ESA). Essas galáxias se chamam NGC 4490 (a maior, apelidada de “Galáxia Casulo”) e NGC 4485 (a menor). Elas estão a cerca de 24 milhões de anos-luz da Terra, na constelação dos Cães de Caça. São galáxias “anãs”, ou seja, bem menores que a nossa Via Láctea – cheias de gás, com poucas estrelas antigas e poucos elementos pesados (os astrônomos chamam isso de “baixa metalicidade”). Exceto pelas Nuvens de Magalhães (as galáxias pequenas que orbitam a Via Láctea), esse é o par de galáxias anãs interagindo mais próximo que conhecemos. Nelas, os cientistas conseguem ver claramente uma “ponte” de gás conectando as duas e até estrelas individuais. Juntas, elas formam o sistema chamado Arp 269, listado em um catálogo famoso de galáxias com formatos estranhos. Por que isso é tão especial? Galáxias anãs como essas são parecidas com as galáxias que existiam no Universo bem antigo, bilhões de anos atrás. Observar como elas se aproximam, trocam gás e colidem ajuda a entender como as galáxias maiores (como a nossa) cresceram no passado. Há cerca de 30 anos, astrônomos descobriram uma ponte fina de gás ligando as duas, provando que elas já interagiram. Mas só agora, com o Webb – que “enxerga” através da poeira no infravermelho –, conseguimos ver detalhes incríveis. Essas novas fotos fazem parte de um programa chamado FEAST (estuda como novas estrelas nascem em galáxias). Os cientistas descobriram dois grandes “surtos” de nascimento de estrelas: um há cerca de 200 milhões de anos (quando as galáxias passaram mais perto uma da outra) e outro mais recente, há uns 30 milhões de anos. Na interação, a galáxia maior (NGC 4490) “roubou” gás da menor (NGC 4485). Esse gás se misturou e formou a ponte visível, cheia de novas estrelas brilhando. As regiões azuis na imagem são gás quente iluminado por estrelas jovens e massivas. Outra visão impressionante do par: Para comparar: veja como o Telescópio Hubble (mais antigo, que vê luz visível) capturava essas galáxias de forma mais embaçada pela poeira, versus o Webb que revela tudo escondido: Com o Webb, é como tirar o véu da poeira e ver estrelas individuais na ponte e dentro das galáxias! Essa descoberta nos dá uma visão de perto de como galáxias pequenas crescem, se fundem e criam novas estrelas – processos que aconteceram muito no Universo jovem. É uma janela para o passado cósmico, bem aqui “perto” de nós!

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